Concordância verbal na prática
Como o verbo concorda com o sujeito, incluindo sujeito composto, coletivo, partitivo, a partícula “se” e os verbos impessoais.
Concordância verbal é o verbo se flexionando para acompanhar o sujeito em número e pessoa. A regra geral é simples; o que derruba são os casos em que o sujeito não é o que parece.
Regra geral
O verbo concorda com o núcleo do sujeito. “Nós vamos ao cinema.” “A aluna entregou o trabalho.”
Sujeito simples: os casos que confundem
Coletivo
Com coletivo, o verbo fica no singular: “A multidão gritou.” Se o coletivo vier especificado, as duas formas são aceitas: “A multidão de fãs gritou” ou “gritaram”.
Expressões partitivas
Com a maioria de, a maior parte de, metade de, grande parte de, o verbo pode ir para o singular (concordância lógica) ou para o plural (concordância atrativa):
- “A maioria dos alunos foi à excursão.”
- “A maioria dos alunos foram à excursão.”
“Mais de um”
O verbo concorda com o numeral, não com a ideia de plural: “Mais de um aluno faltou.” Mas: “Mais de cinco alunos faltaram.”
Pronome relativo “que” e “quem”
- Com que, o verbo concorda com o antecedente: “Fui eu que derramei o café.”
- Com quem, pode ficar na 3ª pessoa ou concordar: “Fui eu quem derramou” / “quem derramei”.
Sujeito composto
A regra geral manda o verbo para o plural: “João e Maria foram passear.”
- Pessoas diferentes: prevalece a 1ª sobre a 2ª, e a 2ª sobre a 3ª. “Eu e ele nos tornaremos amigos.”
- Sujeito posposto: aceita concordância com o núcleo mais próximo. “Irei eu e minhas amigas.”
- Ligados por “ou”: singular se houver exclusão (“Pedro ou Antônio ganhará o prêmio”), plural se houver inclusão.
- Resumidos por “tudo, nada, ninguém”: o verbo concorda com o resumidor. “Os pedidos, as súplicas, o desespero, nada o comoveu.”
A partícula “se”: o caso que mais aparece em concurso
Duas funções diferentes, com resultados opostos.
Partícula apassivadora (verbo transitivo direto)
O verbo concorda com o sujeito paciente — e por isso vai ao plural:
- “Vende-se carro.” / “Vendem-se carros.”
- “Aluga-se sala.” / “Alugam-se salas.”
Índice de indeterminação do sujeito (verbo transitivo indireto)
O verbo fica obrigatoriamente no singular:
- “Precisa-se de secretárias.”
- “Confia-se em pessoas honestas.”
Verbos impessoais: sempre no singular
Verbos sem sujeito ficam na 3ª pessoa do singular, sempre:
- “Havia sérios problemas na cidade.” (nunca “haviam”)
- “Fazia quinze anos que ele parou de estudar.”
- “Deve haver sérios problemas.” — o auxiliar acompanha o principal.
Atenção: o verbo existir não é impessoal e concorda normalmente: “Existem sérios problemas na cidade.”
Verbo “ser” em indicações de tempo e distância
Concorda com a expressão numérica: “São nove horas.” / “É uma hora.” / “São dois quilômetros até lá.”
Perguntas frequentes
É “vende-se casas” ou “vendem-se casas”?
O correto é “vendem-se casas”. O “se” aqui é partícula apassivadora e “casas” é o sujeito da frase — o verbo concorda com ele. A forma “vende-se casas” é muito comum na fala e em placas, mas não é a norma culta.
É “houve muitos problemas” ou “houveram muitos problemas”?
“Houve muitos problemas”. O verbo haver no sentido de existir é impessoal, não tem sujeito e fica sempre na 3ª pessoa do singular. Com o verbo existir seria diferente: “existiram muitos problemas”.
A maioria dos alunos foi ou foram?
As duas formas são aceitas. Com expressões partitivas como “a maioria de”, a gramática admite concordância no singular (com o núcleo “maioria”) ou no plural (com o termo especificador). Em texto formal, o singular costuma ser preferido.
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